O fêmur é o osso mais longo do corpo. A cabeça do fêmur é articulada com o acetábulo do osso do quadril. A fratura de fêmur é muito comum e causa perda da funcionalidade e aumento da mortalidade, principalmente na população idosa. Os idosos que sofrem esse tipo de fratura estão geralmente acometidos por osteoporose. É mais comum em idosos moradores de áreas urbanas e do sexo feminino.

Porém, acomete também jovens mais comumente por causas traumáticas e patológicas, o acometimento em idosos é aproximadamente 90% dos casos de fratura de fêmur, podendo ser causada por queda simples da posição ortostática. Estima-se que a maior causa de fraturas em idosos é devido à osteoporose, pela diminuição da densidade mineral óssea.

De acordo com a National Osteoporosis Foundation, o atendimento na área da saúde teve um custo de 8,7 bilhões de dólares para tratamento de fraturas de quadril, sendo 63% em pacientes com osteoporose. Por ano, estão previstas mais de 500 mil fraturas de quadril, a estimativa para 2040 é que o custo para tratá-las chegue a 16 bilhões de dólares por ano.

 

Fatores de risco

1. Quedas

As fraturas de quadril aumentam de acordo com a idade, e o grau de osteoporose, determina apenas o tipo de fratura. O maior acometimento ocorre entre 65 e 85 anos.

Em quedas laterais, há maior chance de acarretar fraturas, pois tem grande impacto no trocanter. Normalmente, quando uma pessoa percebe que vai cair, sua primeira reação é proteger-se com as mãos estendidas para frente e sobre os joelhos. Já uma pessoa de 85 anos, que caminha lentamente, tende apenas a cair para o lado, ocasionando assim a fratura.

Devido a degradação geral da saúde, o idoso está mais propenso a quedas, de acordo com estudos, uma pessoa que sofre uma fratura de colo de fêmur, tem um aumento de até 5 vezes de ter o mesmo tipo de fratura do lado oposto. O fato de residir em casas de repouso, apresentar anomalias psicomotoras, uso de medicamentos sedativos, álcool (que afeta a densidade óssea), tabagismo e sedentarismo, são grandes fatores de risco que levam esses paciente à quedas.

2. Osteoporose

A osteoporose é considerada uma epidemia na população idosa, para a classificação da osteoporose, utiliza-se a densitometria óssea e a tomografia computadorizada (TC) quantitativa. Para tratamento dessa patologia, atualmente utiliza-se a complementação de cálcio (vitamina D) e medicamento com estrógeno, calcitonina e alendronatos. Para esses idosos, a dosagem correta de cálcio por dia deve ser de 1000 mg/dia.

 

Tratamento:

Os principais objetivos no tratamento dessa fratura são a boa redução, fixação segura e retorno as AVDs (Atividades de Vida Viária), se não realizado não permite o retorno às atividades podendo causar úlceras de decúbito e complicações pulmonares devido ao maior tempo no leito.

São indicados tratamento através de fixação interna, cirúrgico, porém com riscos e longo período de tempo gasto no leito. O tratamento cirúrgico é bastante indicado em fraturas da metade inferior do fêmur por suas melhores condições, já em fraturas da metade superior do fêmur é pouco indicado, substituindo-se pela fixação interna sendo mais fácil e segura.

A imobilização pode também ser utilizada nas fraturas em adultos, sendo a imobilização de Thomas com tração física ou imobilizações que permitem flexão de joelho.

Desde o início o paciente deve ficar em pé com auxílio e exercitar todas as articulações que não estejam imobilizadas.

Logo após a cirurgia, os exercícios para todas as articulações da perna devem ser iniciados. Em duas semanas o paciente já tem bom controle muscular e mobilização do quadril e joelho. Em seguida já pode levantar e carregar pesos se a redução estiver estável e o prego bem fixo, caso isso não ocorra adere-se ao uso de muletas e o carregamento de peso só poderá ser feito após a fixação assegurada do prego ser reforçada pelo calo, visível na radiografia.

O principal objetivo da fisioterapia na fratura de fêmur é aumentar a força muscular, melhorar a resistência e eficiência da deambulação. É importante que o profissional conheça o tipo de fratura e o material usado na fixação cirúrgica, para que seja aplicada maneira correta o tempo de deambulação, descarga de peso e alguns movimentos restritos ao membro acometido.

Um programa de reabilitação é elaborado individualmente, seguindo protocolos mundiais e supervisão da equipe multiprofissional, embora existam programas acelerados, deverá o fisioterapeuta seguir o tratamento de acordo com cada paciente, não se deve atropelar as fases.

 

Para o sucesso de um programa de reabilitação de fratura de fêmur devemos:

  • Respeitar as orientações médicas;
  • Boas práticas de cuidados na cicatriz;
  • Atenção com a medicação e uso da meia elásticas de compressão;
  • Posicionamento correto na posição deitada e sentada, evitando rotações e cruzamento das pernas;
  • Exercícios Físicos somente orientados pelo fisioterapeuta.

 

Fonte:

APLEY, A.G. – Ortopedia e fraturas em medicina e reabilitação. 6ª Edição – São Paulo: Atheneu, 2002.

HOPPENFELD, S., MURTHY, V.L. – Tratamento e Reabilitações em Fraturas. 1ª Edição – São Paulo: Manole, 2001